CARRAPATOS EM CÃES
Os carrapatos são um problema para cães durante todas as estações do ano. Mas, quando esquenta e há maior prevalência. Carrapatos agarram-se a gramíneas e arbustos altos, esperando que a vítima passe, para que eles possam se prender a ela.
Na foto ao lado, os filhotes estão acumulados na ponta de uma folha
A prevenção de carrapatos deve ser levada a sério, e não apenas por que promovem algumas doenças mortais, mas também por que algumas não têm cura.
A IMPORTÃNCIA DA URGÊNCIA
E importante remover os carrapatos o mais breve possível. O tempo que um carrapato leva para transmitir doenças a um cão, após se fixar, varia. Diferentes espécies de carrapatos transmitem diferentes doenças, e algumas podem transmitir patógenos mais rapidamente do que outras.
Algumas doenças, como a Erliquiose, podem ser transmitidas em poucas horas. Mas, em geral, é preciso que o carrapato permaneça por um período mais prolongado para que a infecção ocorra.
As doenças do carrapato podem ser assintomáticas nos estágios iniciais, o que torna difícil detectar a condição logo após a infecção. Igualmente, os sintomas de quase todas elas são inespecíficos, fazendo com que possam ser confundidas com outras patologias.
De qualquer forma, tais sintomas se enquadram, sempre, nos casos de TRATAMENTO EM URGÊNCIA especificadas em Post anterior.
CARRAPATOS EM CÃES – MOLÉSTIAS
Febre Maculosa Brasileira
A Febre Maculosa Brasileira em cães é uma doença grave, transmitida pela picada do carrapato-estrela. Embora os cães não sejam os principais hospedeiros da bactéria, eles podem ser infectados e apresentar sintomas. Ela pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sérias e até fatais.
A maior incidência está em zonas rurais ou periféricas de cidades, no Sul e Sudeste do País.
Febre alta, letargia e falta de apetite, dores musculares e articulares, vômitos e diarreia, manchas vermelhas na pele (em alguns casos), problemas neurológicos (em casos graves). Todos esses sintomas justificam o tratamento em urgência previsto em outro Post deste Blog.
O tratamento é feito com antibióticos específicos, sendo o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento cruciais para aumentar as chances de recuperação e evitar complicações. Em casos graves, pode ser necessária internação hospitalar para monitoramento e suporte intensivo.
Doença de Lyme Brasileira
Embora a Doença de Lyme Brasileira seja mais conhecida em humanos, cães também podem ser afetados.
A frequência da Doença de Lyme em cães no Brasil ainda é objeto de estudo, mas acredita-se que seja menor do que em outras regiões do mundo, como a América do Norte e a Europa.
Alguns cães infectados podem ser assintomáticos, enquanto outros podem desenvolver sintomas leves a graves. Em casos graves, a doença pode causar artrite, problemas cardíacos e neurológicos.
Os sintomas mais comuns em cães incluem: Claudicação (dificuldade para andar), Dor nas articulações, Febre, Letargia, Perda de apetite.
O tratamento da Doença de Lyme em cães é feito com antibióticos. O tratamento precoce é fundamental para aumentar as chances de recuperação e evitar complicações.
A Doença de Lyme em cães não é transmitida diretamente deles para humanos. Entretanto, os cães podem trazer carrapatos infectados para dentro de casa, aumentando o risco de exposição para as pessoas.
Babesiose
A Babesiose canina é uma doença causada por protozoários. No Brasil, as espécies mais comuns são Babesia canis e Babesia gibsoni. A Babesiose pode variar de leve a grave, dependendo da espécie de Babesia envolvida, da saúde geral do cão e da rapidez com que o tratamento é iniciado.
Em casos graves, a doença pode levar a anemia hemolítica, insuficiência renal, problemas hepáticos e até mesmo à morte. Os principais sinais clínicos são: febre, letargia, falta de apetite, palidez das mucosas, urina escura, icterícia (amarelamento da pele e mucosas)
O tratamento é feito com medicamentos específicos, dependendo da espécie de Babesia envolvida. A precocidade é fundamental para aumentar as chances de recuperação e evitar complicações. Em casos graves, pode ser necessária internação hospitalar para monitoramento e suporte intensivo, como transfusões de sangue.
Erliquiose
A Erliquiose canina é uma enfermidade infecciosa causada pela bactéria Ehrlichia canis, transmitida pela picada do carrapato-marrom. É uma doença comum em cães em todo o mundo, incluindo o Brasil. É considerada uma das doenças transmitidas por carrapatos mais comuns em cães.
Incide em áreas urbanas ou rurais com preferência, também, para o Sul e Sudeste do País.
Ela pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sérias. A gravidade depende de fatores como a cepa da bactéria, a saúde geral do cão e a rapidez com que o tratamento é iniciado. Em casos graves, a doença pode levar a problemas de saúde crônicos e até mesmo à morte.
Os sintomas podem ser inespecíficos, dificultando o diagnóstico precoce: febre, letargia e falta de apetite, perda de peso, sangramentos (nasais, gengivais, etc.), inchaço dos linfonodos, dor nas articulações, problemas oculares, problemas neurológicos (em casos graves)
O tratamento é feito com antibióticos. A precocidade é fundamental para aumentar as chances de recuperação e evitar complicações.
Anaplasmose
A Anaplasmose canina é uma doença infecciosa, causada pela bactéria Anaplasma platys (que afeta as plaquetas) ou Anaplasma phagocytophilum (que afeta os glóbulos brancos). Embora menos conhecida do que a erliquiose, a anaplasmose também representa um risco para a saúde dos cães.
A anaplasmose canina está presente em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil, e sua frequência está diretamente relacionada à presença de carrapatos vetores.
A gravidade da anaplasmose pode variar, desde infecções subclínicas (sem sintomas aparentes) até quadros clínicos graves, e depende de fatores como a espécie de Anaplasma envolvida, a idade e o estado de saúde do cão, e a rapidez com que o tratamento é iniciado. Em casos graves, pode causar complicações como: problemas de coagulação sanguínea, insuficiência renal e problemas neurológicos.
O tratamento da anaplasmose é feito com antibióticos, sendo a precocidade fundamental para aumentar as chances de recuperação e evitar complicações. Na maioria dos casos, os cães respondem bem ao tratamento e apresentam melhora significativa dos sintomas em poucos dias.
LOCAIS PREFERIDOS
CABEÇA E ORELHAS
Curiosos, os cães enfiam a cabeça em tudo ao farejar, por isso é frequente que os carrapatos encontrem o caminho para a cabeça e orelhas. Estas últimas, cheias de esconderijos, são perfeitas para um carrapato faminto.
Ao inspecionar seu cão, certifique-se de olhar na base das orelhas e também, profundamente, na parte interna, porque ali os carrapatos podem passar despercebidos por muito tempo.
Se o cão está balançando a cabeça e coçando a orelha, é um sinal claro de que algo está errado e você vai querer dar uma olhada com auxílio de uma lanterna.
A nuca e o pescoço, com pelagem densa, devem ser penteados com um pente fino, próprio para isso, vendido em diversos formatos.
DEDOS
Carrapatos procuram se esconder. Os espaços interdigitais são excelentes para isso. Além disso, podem ficar até na sola do pé, perto das almofadas. Inspecione todos os dedos, da frente e de trás, afastando-os em sequência, veja também a parte de baixo.
Se você notar que seu cão lambe ou mastiga os pés, pode haver algo incomodando-o, e esse algo pode ser um carrapato.
CAUDA
Como a maioria dos donos não verifica regularmente a parte inferior da cauda do cão, especialmente perto da base, um carrapato pode passar despercebido por algum tempo. Se o seu cão tiver pêlo grosso, certifique-se de penteá-lo e procurar cuidadosamente.
VIRILHA
Esta é uma área muito apreciada pelos carrapatos.
PÁLPEBRAS
Muitos carrapatos passam despercebidos perto das pálpebras porque são confundidos com marcas na pele ou secreção ocular. Infelizmente, quando os donos percebem que há um carrapato nesse local, o carrapato já está preso há um bom tempo. Isso não é o ideal, porque quanto mais tempo um carrapato permanece preso, maior a probabilidade de ocorrer a transmissão da doença.
SOB A COLEIRA
Muitos cães raramente têm suas coleiras retiradas, e por um bom motivo – é importante manter a identificação adequada do seu cão o tempo todo.
Os carrapatos podem ficar presos embaixo da coleira do seu cão sem que ninguém perceba, geralmente até que o carrapato seja grande o suficiente para ser visto – o que significa que ele está lá há algum tempo. Seja qual for o caso, é importante remover a coleira para fazer uma verificação completa de carrapatos.
Aqui no ShibaShow nossos cães usam coleiras SERESTO, que impedem a infestação de carrapatos por um longo tempo. Mas, o Alchy não as utiliza para não marcar o pelo e a Yuuki não sabemos como rompe qualquer coleira antipulgas que lhe seja posta.
ROTEIRO PARA ENCONTRAR CARRAPATOS
Quando seu cão retornar de um passeio ou for mantido solto em campo por um período, é conveniente inspecionar para carrapatos, sempre que não esteja com algum sistema preventivo, tal como preconizado neste Post.
Preferencialmente, disponha de luvas de látex, pente para carrapatos, lanterna, pinça, álcool, recipiente com tampa. Uma área bem iluminada facilitará a tarefa.
Inspecione todo o cão, com ênfase nas partes já mencionadas. Use a lanterna para separar os pelos dele, penteie com o pente metálico, para capturar os parasitas. Quando os encontrar, aplique álcool sobre ele e, logo, o remova com a pinça, cuidando de não deixar a cabeça presa na pele. Coloque-o no recipiente com tampa e o descarte no vaso sanitário.
Lembre de recompensar o seu cão para que ele não forme uma imagem ruim do procedimento
INTERVALO DE LATÊNCIA
Depois de infectado, a moléstia pode ficar latente por até dois anos. Ou seja, mesmo que você retire o carrapato ou ele se evada, o cão já pode estar desenvolvendo a doença, assintomaticamente. Somente um exame de sangue tornará isso evidente.
A MONTANHA VAI A MAOMÉ
Mesmo que seu cão não fique solto em pátio amplo ou realize passeios em parques ou bosques, é possível que você traga os carrapatos para casa, em sua roupa ou sapatos. Por isso, a necessidade de esquemas preventivos. Há quem afirme que eles são capazes até de subir em prédios.
VACINA PARA CARRAPATOS
Algumas agropecuárias podem mencionar a Ivermectina como vacina contra os carrapatos. Na verdade, ela foi desenvolvida para animais de grande porte e é muito perigosa em dosagem inadequada. Mas, combate diferentes tipos de sarna, como a sarna sarcóptica e a sarna demodécica; vermes intestinais, como ancilostomíase e tricuríase e outros parasitas, como ácaros e alguns tipos de vermes pulmonares. Em doses baixas e sob supervisão veterinária, a ivermectina pode ser utilizada para prevenir a dirofilariose (verme do coração). Eu não a utilizaria.
PREVENÇÃO AMBIENTAL
Mantenha a grama curta e apare as áreas de vegetação densa, onde os carrapatos encontram abrigo. Elimine pilhas de madeira, folhas caídas e outros detritos que servem de esconderijo para carrapatos. Controle a população de roedores no seu terreno.
Butox e similares podem ser utilizados no ambiente, inclusive em gramados, arbustos e áreas de sombra, até em paredes e teto, mas não o empregue no animal diretamente.
No canil, use alguma acaricida recomendado e, se tiver condições, empregue uma “vassoura de fogo”, uma espécie de lança chamas muito eficiente em matar os parasitas e seus ovos.
AFINAL
Já convivi com duas experiências com carrapatos, em meu tempo de Rottweilers, e ambos foram assustadoras, muito onerosas e inesquecíveis. Mas isso foi antes do surgimento das coleiras SERESTO.